La determinación social como puente entre el campo de análisis y la intervención: contribuciones de la matriz de procesos críticos al análisis institucional
contribuições da matriz de processos críticos à análise institucional
DOI:
https://doi.org/10.14295/2764-4979-RC_CR.2025.v5.154Palabras clave:
Análisis Institucional, Determinación Social de la Salud, Matriz de Procesos Críticos, Salud Colectiva, MarxismoResumen
No campo da saúde coletiva, as epistemologias marxistas têm contribuído para repensar a relação entre teoria e prática, especialmente na compreensão das instituições como expressões da totalidade social. Nesse contexto, a análise institucional (AI), desenvolvida por René Lourau e George Lapassade, propõe uma leitura crítica das instituições como formações históricas e contraditórias, que reproduzem relações de poder e ideologia. Contudo, a própria AI identifica uma dificuldade metodológica central no contexto da pesquisa-intervenção: a confusão entre o campo de análise (a instituição, sua história e estrutura de poder) e o campo de intervenção (o grupo onde a intervenção ocorre). Essa confusão leva o analista a reduzir o fenômeno institucional às dinâmicas afetivas do grupo, esvaziando seu potencial crítico e transformador. Esta prática interventiva nasce de uma demanda e encomenda do capitalismo pós-taylorista, que necessitava gerir o “fator humano”, não para transformá-lo, mas para suscitar participação, mantendo intacta a estrutura de poder. Paralelamente, a Epidemiologia Crítica latino-americana, proposta por Jaime Breilh e fundamentada no materialismo histórico-dialético, oferece a categoria de Determinação Social da Saúde e a Matriz de Processos Críticos – MPC como instrumento de análise da totalidade social. Dessa forma, o diálogo entre a AI e Determinação Social da Saúde busca ampliar a capacidade analítica e emancipatória das práticas de intervenção institucional em saúde. O objetivo deste trabalho é, portanto, demonstrar como a MPC pode ser utilizada como uma ferramenta metodológica para reconectar o campo de intervenção ao campo de análise, contribuindo para uma Análise Institucional crítica em saúde coletiva. Quanto à metodologia, trata-se de um ensaio teórico fundamentado na análise conceitual dos autores René Lourau e Jaime Breilh, com base no referencial materialista histórico-dialético. O percurso analítico desenvolveu-se em três etapas: (i) Revisão e interpretação das obras centrais de Lourau para explicitar o problema da confusão entre campo de intervenção e de análise; (ii) Exposição dos fundamentos da Epidemiologia Crítica e da estrutura da MPC; (iii) Articulação entre os dois referenciais, buscando identificar como a MPC pode operar como mediação metodológica que sustenta a práxis institucional em uma perspectiva marxista. A análise evidenciou que Lourau, em sua crítica à psicossociologia, identifica duas falhas estruturais na prática interventiva. A primeira, diz respeito a crítica sociológica, baseada em Bourricaud, que denuncia o foco no grupo “sem passado e sem território”, desconsiderando as relações de classe e a historicidade das instituições. Esta prática promove um “democratismo” técnico, ideologia que assume uma falsa reciprocidade dos interesses entre dominantes e dominados, para encobrir as oposições de classe. A segunda é a crítica psicanalítica, formulada por Pontalis e Anzieu, que revela o fechamento imaginário do grupo sobre si mesmo, transformando-o em um sonho de unidade, que funciona como mecanismo de defesa contra a análise de sua própria determinação institucional. O grupo centrado sobre o grupo, falha em sua função analítica, pois sua função inconsciente é inteiramente negativa, se mantendo preso no campo da intervenção e reduzindo o conflito institucional a problemas interpessoais do grupo. A MPC surge então como ferramenta para superar essa limitação. A MPC não se trata de um modelo estático, mas uma ferramenta dialética para analisar a reprodução social, articulando três dimensões da totalidade social: (a) a dimensão universal, que se refere aos processos estruturais de produção, às políticas de Estado e formas de dominação (capitalista, patriarcal, colonial). Esta dimensão define o campo de análise que Lourau retrata, em seu sentido mais amplo; (b) a dimensão particular, analisa as condições de vida e trabalho de grupos e classes sociais específicas, correspondendo ao campo de intervenção onde o analista atua, como um grupo de trabalhadores em sua localização territorial; e por fim, (c) a dimensão singular, que representa a expressão concreta dessas determinações no corpo, na prática e na consciência individual. A profundidade da proposta de Breilh, e sua maior contribuição para a AI, reside na compreensão da dimensão singular. Para a psicossociologia criticada por Lourau, o singular (o afeto, o conflito interpessoal) é o ponto de partida da análise. Para a Epidemiologia Crítica, o singular é um ponto de chegada, a síntese encarnada das determinações universais e particulares. O sintoma, ou a "briga" no grupo (o singular) não são apenas afetados pela estrutura; eles expressam a contradição da totalidade em sua forma fenotípica. A matriz, portanto, não é apenas um enquadramento, mas uma ferramenta para identificar os processos críticos que operam nessas dimensões, sejam eles processos destrutivos, como a superexploração da força de trabalho ou processos protetores e de resistência, como a organização coletiva. Ao situar os conflitos singulares dentro das determinações particulares e universais, a matriz então permite desvelar as relações de poder e as contradições de classe que atravessam o espaço institucional. O analista, munido da matriz, pode questionar como o conflito singular se liga a processos críticos particulares e universais. Isso limita a restrição da análise somente à dimensão afetiva e imaginária do grupo. Essa articulação metodológica resgata o sentido político da intervenção, deslocando-a de um exercício técnico de gestão participativa para uma práxis de transformação institucional orientada pela totalidade social. Em conclusão, a aproximação entre Lourau e Breilh evidencia que a práxis emancipatória em saúde requer a superação da fragmentação entre análise e intervenção. A Matriz de Processos Críticos fortalece a Análise Institucional ao oferecer uma ferramenta teórico-metodológica que ancora a intervenção na determinação social, evitando a captura ideológica e o fechamento imaginário do grupo. Essa síntese reafirma a potência do marxismo como epistemologia da práxis, ao reforçar que a transformação institucional só é possível quando se compreende a instituição como parte da totalidade histórica e social que a produz.
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